Vitor Tadeu da Silva,
12, tem paralisia cerebral desde que nasceu. Quando passou a frequentar a
Escola Municipal Ângelus do Nascimento, no distrito de Mosqueiro, há 6 anos, o
menino sofreu preconceito por parte de alguns colegas na sala de aula. Mas, no
começo deste semestre, situações como estas deixaram de ser rotina do colégio,
que foi inserido no Projeto A Educação Especial – Alunos com Deficiência –
Relações Étnico Raciais, perspectivas de ações especializadas no ambiente
escolar, que tem como idealizadores o Centro de Referência em Inclusão
Educacional (Crie) e o Movimento Afro-descendente do Pará (Mocambo).
O objetivo principal do
projeto é preparar os professores para educar as crianças dentro de suas
culturas e comunidades e, ainda, apresentar práticas pedagógicas que contemplem
as legislações voltadas para a educação especial na perspectiva inclusiva, e para
a Lei 10.639/2003, que garante a obrigatoriedade da História e Cultura
Afro-brasileira no currículo oficial da Rede de Ensino.
Segundo a diretora da
Ângelus Nascimento, Gleyde Kelly, palestra e vídeos são utilizados como
ferramentas de inclusão. “O que queremos é esclarecer a importância do negro na
sociedade e respeitar as diferenças dos deficientes”, explicou. Com 400 alunos,
sendo mais da metade pertencentes à comunidade remanescente dos quilombolas do
Sucurijuquara, a escola tem sete alunos portadores de necessidades especiais,
entre elas, física, visual e auditiva.
O pontapé inicial para
as mudanças no colégio municipal ocorreram a partir de junho deste ano, com o
Fórum Regional de Consciência Negra, que contou com a participação do
Ministério Público e outros órgãos estaduais e municipais, além da sociedade
civil.
Na manhã desta
quarta-feira, 4, mais um Fórum aconteceu na Escola Ângelus Nascimento, agora de
culminância do projeto, o qual, participaram professores, alunos e pais dos
alunos. “Precisamos do apoio familiar para reforçar este processo”, alertou a
coordenadora do CRIE em Mosqueiro, Suely Belo.
Para 2014, um dos projetos
do Centro de Referência é a criação de um pólo educacional para crianças
especiais na ilha, com atendimentos específicos em fonoaudiologia, assistência
social e psicologia.
Atualmente, Mosqueiro
possui sete escolas municipais, três com salas multifuncionais equipadas para
estimular o aprendizado de 78 crianças especiais, onde dois professores
orientam os alunos deficientes. No próximo ano, o distrito ganha mais uma
unidade de ensino com sala multifuncional, a Escola Maroja Neto.
Com o projeto de
inclusão fazendo parte do dia a dia escolar, Vitor não inventa mais desculpas
para faltar às aulas. As gozações que sofria por utilizar cadeira de rodas
praticamente acabaram. A mudança de comportamento foi confirmada pela mãe do
menino, Cristiane Almeida. “Já tem alguns meses que meu filho está reclamando
menos dos colegas e vai pra escola com vontade”.
Texto: Syanne Neno
Fotos: Ascom Semec
Edição: Vanda Duarte


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