As aulas de Educação Física nas escolas públicas
de Belém não serão mais as mesmas. Não depois da realização do X Encontro de
Educação Física Escolar que abordou teoria e prática do futebol para cegos,
também conhecido como futebol de 5. O encontro possibilitou a professores de
Educação Física da rede municipal de ensino conhecer as noções básicas de como
incluir o aluno cego nas atividades físicas curriculares e, dessa forma, chegar
ao objetivo maior que é a inclusão por meio da Educação Física. A iniciativa da
capacitação é da Secretaria Municipal de Educação.
Durante a programação foram expostos a história,
a introdução do esporte no Brasil e seus fundamentos, além da aula prática. O
facilitador foi Carlos Alberto Gonçalves, técnico da equipe de futebol de 5 da
Associação de e Para Cegos do Pará, Ascepa. O encontro foi realizado nestas
quinta e sexta-feira, na quadra de esportes da escola municipal Alzira
Pernambuco, no bairro do Marco.
Além do futebol de 5, esportes como bocha, vôlei
sentado e tênis de mesa para cadeirantes também foram discutidos e exercitados
pelos profissionais em encontros anteriores. As capacitações com ênfase nos
esportes para os alunos com deficiência visam também a participação dos
estudantes do município nos jogos Paralímpicos Escolares, previstos para
ocorrer no segundo semestre de 2015.
Professora de Educação Física na Escola Municipal
João Carlos Batista, no bairro da Cabanagem em Belém, Cintia Cardoso, participa
com frequência das formações e afirmou que a aprendizagem sobre o esporte
voltado para as pessoas com deficiência visual foi um divisor de águas para as
suas aulas.
“No meu caso em especial está sendo maravilhoso
porque tenho uma aluna cega e outra com baixa visão. Até então eu não tinha um
norte de como proceder com elas nas minhas aulas, e esse curso está me dando um
mundo de possibilidades de como trazê-las do seu mundo e incluí-las com os
outros alunos. De tudo que foi dito aqui, 70% eu já vou trabalhar com elas e a
turma”, afirmou a professora.
No encerramento do encontro uma partida
demonstrativa feita pelo time da Ascepa foi realizada para mostrar aos
professores que mesmo com as limitações, é possível realizar a inclusão dos
alunos com deficiência e obter resultados positivos na vida escolar e pessoal
dos alunos. “A vida como deficiente no esporte é boa e nós vamos mostrar aos
professores que hoje em dia é muito mais fácil trabalhar com as pessoas com
deficiência. O futebol é a paixão dos brasileiros, e conosco, jogadores cegos,
não poderia ser diferente”, disse o jogador Rodrigo Almeida.
Nos prédios das escolas de Belém, placas
sinalizadoras, rampas de acesso e corrimões demonstram a preocupação em
estimular a inclusão escolar. Nas aulas, a lição continua através do respeito e
da ajuda mútua entre os estudantes e profissionais. “Os professores estão
prontos para receber, seja dentro de sala de aula, seja nos espaços esportivos,
o aluno com deficiência. E o encontro tem justamente a preocupação em aumentar
cada vez mais o leque de conhecimentos desses professores e incluí-los nas
aulas de Educação Física e em toda a escola”, ressaltou a técnica da diretoria
de Educação Física da Semec, Flávia Oliveira.
Técnico do time, Carlos Alberto Gonçalves falou
da importância de estimular o esporte para as pessoas com deficiência desde
cedo. “Este momento é para fazer com que os professores tenham condições de
trazer o aluno cego para a aula de Educação Física e a aula prática para que
eles saibam como o esporte ocorre. É muito importante também porque se tivermos
um trabalho de base, teremos futuros atletas com qualidade”.
Texto: Aline Saavedra
Foto: Uchôa Silva/Comus
Secretaria Municipal de Educação
(SEMEC)



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